Um dos temas que norteiam o ramo da administração pública é a comparação entre ela e o setor privado. Estabelecendo suas vantagens e desvantagens é que muitos especialistas definem aspectos relevantes quanto ao que um poderia espelhar-se no outro. Dentro desses, há pontos que relacionam o público e o privado de interessante reflexão, como a capacitação dos servidores e a motivação dentro do ambiente de trabalho.
Nas organizações públicas a capacitação é condição rígida, ou seja, para o ingresso nesse setor é necessário ter no mínimo ensino médio completo o que não acontece no setor privado, que contrata funcionários independente do grau de escolaridade. A rigidez nesse sentido começa desde a entrada no setor público, dado que ocorre através de concursos e pela alta competitividade tende-se a conquistar os melhores profissionais. Sob essa perspectiva, a dificuldade de entrada pode implicar, como ponto positivo, em uma melhor qualidade no serviço. Já pela ótica negativa, esse fator aliado a estabilidade e demora de crescimento na carreira pode acarretar desmotivação e falta de produtividade. No setor privado, essas características são contraditórias. Ao mesmo tempo em que há flexibilidade quanto a entrada de pessoal (altamente qualificados ou não), a possibilidade de ascensão na carreira pode ocorrer de forma mais rápida e maior motivação pela possibilidade de compensação pela produtividade e qualidade do serviço prestado. Segundo Carvalho, Torres, Borba e Martins no artigo Análise da Gestão de Pessoas na Administração Pública: Um estudo de caso, a gestão de pessoas na área pública é bem diferente da gestão de pessoas na área privada no que tange também o interesse da organização. Na área pública, o interesse é atender os anseios da sociedade e, para isso, é necessário uma estrutura administrativa deve com sintonia para atender e satisfazer as necessidades dos cidadãos.
Analisando os pontos colocados, seria possível pensar em uma gestão tanto pública quanto privada em que cada qual absorvesse pontos positivos um do outro?
Pensar sob esse ângulo nos leva a vislumbrar uma gestão inovadora principalmente no que tange as organizações públicas. Essa mudança poderia gerar nessas tanto uma maior qualidade nos serviços prestados quanto maior produtividade, pois mostrar ao servidor que crescer na carreira e ser recompensado pelo que faz possibilita entende-lo mais do que apenas um recurso dentro do setor público e sim uma pessoa essencial para o desenvolvimento das tarefas. A exigência no serviço público a partir dos aspectos do privado passaria a ir além da qualificação profissional, e trataria de características mais humanas que envolveriam confiança, responsabilidade, transparência e comprometimento. Quanto a flexibilidade de entrada no setor privado, o estabelecimento de graus de escolaridade conduziria a qualidade na empresa, visto que a contratação visaria sempre um profissional qualificado compatível com o cargo e totalmente comprometido com a função a ser exercida.
Texto escrito pela aluna de Administração Pública da Universidade Federal de Lavras, Ana Luiza Alves.

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